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sábado, 21 de novembro de 2009

domingo, 7 de setembro de 2008

Alton Ellis



Alton Ellis nasceu na Jamaica em 1944, na capital Kingston. Ele começou sua carreira ainda adolescente como dançarino no concurso de calouros 'Vere John Oportunity Hour', ganhando o primeiro lugar em dois anos seguidos. Em 1958 Eddy Perkins o convidou para montar um duo vocal, em uma das primeiras gravações comerciais da Federal Records, o mais antigo estúdio da ilha caribenha. Para se ter uma idéia de como era o trabalho de gravação naqueles tempos, tudo era feito com um só microfone. Os cantores ficavam mais perto do mesmo enquanto que os instrumentistas iam se agrupando em volta, ficando a distâncias variadas, de acordo com a intensidade desejada para cada um. O duo Alton & Eddie se especializou em interpretar canções baseadas no rhythm & blues, estilo que dominava as paradas jamaicanas da época. O primeiro sucesso foi ‘Muriel’.

Logo Perkins partiu para carreira solo e Ellis continuou a fazer suas músicas no Studio One, com o lendário Coxsonne Dodd, onde o reggae começou a tomar forma, gravando sucessos como , 'Willow Tree' e 'Pearl' (nome da sua primeira esposa e, segundo ele, sua maior inspiração - Ellis conta que Coxsonne quase gostava quando os dois tinham uma briga pois sabia que logo haveria uma música de sucesso sobre a situação).

Ellis também faria algumas gravações com mensagens contrárias aos 'rude-boys' (grupos de jovens que barbarizavam nos bailes e, eventualmente, cometiam alguns crimes - ver a letra de 'Johnny Too Bad' nas Letras Traduzidas) para o estúdio Treasure Isle, de Duke Reid, com o nome de Alton Ellis and the Flames. Era a hora do rocksteady (estilo que se seguiu ao ska) e a voz privilegiada de Ellis foi mais notada. Foi uma canção dele, 'Get Ready - Let's do Rock Steady', a primeira a usar o nome deste estilo musical em um título. Ellis logo deixou os rudies de lado e se concentrou nos temas românticos e nas regravações de clássicos da soul music, alcançando os primeiros postos da parada de sucessos da Jamaica durante os anos 1965-1966, com clássicos como 'Girl I've Got a Date' e 'Cry Tough'. Foi na Treasure Isle que Ellis lançou o disco considerado como marco definitivo do rock steady, ‘Mr. Soul of Jamaica’, relançado recentemente pela gravadora americana Heartbeat com o nome de ‘Cry Tough’. Era no estúdio de Duke Reid que Ellis se sentia em casa, como ele mesmo declarou. Lá ele podia ter como backing vocals cantores do quilate de Ken Boothe, John Holt e Pat Kelly (e ele retribuía fazendo o mesmo nas gravações dos amigos). Era uma época em que todos eram jovens e buscavam reconhecimento, não se importando muito com dinheiro.

Durante a passagem do rock steady para o reggae, Alton Ellis continuou a gravar, às vezes acompanhado por sua irmã, Hortense. Em 1972, decepcionado com os produtores jamaicanos, ele se mudou para a Inglaterra e se afastou um pouco do que estava sendo produzido na ilha caribenha. Em terras britânicas foi um dos fundadores do estilo 'lovers rock', que ainda hoje domina as paradas de reggae da ilha européia. Foi lá também que ele aprendeu melhor como lidar com a indústria fonográfica e compreeendeu que o mercado jamaicano não podia sustentar tantos cantores de talento e por isso eles se sentiam explorados. Em 1983 ele voltou à Jamaica no início da era do dancehall e chegou a gravar para produtores identificados com o novo estilo, como Junjo Lawes e Prince (depois King) Jammy, com o objetivo de apresentar às novas gerações o canto dos veteranos. Mas os Djs acabaram se impondo pelo resto da década de 80 e início dos anos 90, dando pouco espaço para os cantores.

Hoje, com os variados estilos de reggae convivendo de forma mais pacífica, Alton Ellis continua se apresentando e gravando esporadicamente, sempre com um alto padrão de qualidade. Com mais de 40 anos de carreira, é uma referência quando se fala em cantores jamaicanos, reconhecido como o principal 'soul man' da ilha.

Rocksteady

Rocksteady é o nome normalmente dado ao ritmo que dominou as paradas jamaicanas entre o ska e o surgimento do reggae, mais exatamente entre o fim de 66 e a metade de 68. No entanto pode-se dizer que, na verdade, trata-se do primeiro formato que o reggae como conhecemos hoje tomou, tendo muito mais a ver com o ritmo que tornaria a Jamaica famosa em todo o mundo do que com o o ska. Talvez o nome rocksteady não tenha vingado porque poderia ser confundido com o rock n' roll, ou porque os jamaicanos gostaram mais do nome reggae, ou as duas coisas. O fato é que a divisão entre rocksteady e reggae acabou prevalescendo entre os pesquisadores do ritmo e os executivos das gravadoras, o que talvez possa ajudar a explicar por que um período tão importante da música jamaicana permanece pouco conhecido por grande parte do público.

É geralmente aceito que teria sido justamente um cantor, Hopeton Lewis, o primeiro a pedir aos músicos para desacelerar o ritmo do ska para que fosse possível encaixar a letra de uma canção. Nesta gravação histórica, que resultaria no sucesso 'Take it Easy', o pianista Gladstone Anderson teria comentado que aquele era um balanço mais regular, mais firme (rock steady), batizando o novo ritmo. No final de 66, outras canções apareceram retomando o andamento do rhythm & blues de Fats Domino, tão popular na ilha nos anos 50 e aproveitando a batida persistente em que o ska se baseava, criando um som diferente de tudo o que havia sido ouvido antes e que seria a base para tudo o que se faria depois.

A introdução da guitarra e do baixo elétricos em meados dos anos 60 pode ser considerada como um evento fundamental que tornou possível esta mudança no cenário musical jamaicano. Eles permitiram que os músicos criassem linhas de baixo mais ágeis, que serviriam como base para o rocksteady e também para o reggae. Outros atribuem tal reviravolta ao verão excepcionalmente quente de 1966. Por outro lado, Bob Marley chegou a comentar que os instrumentistas ligados ao ska, que tinham como referência musical o jazz e rhythm & blues, teriam ficado insatisfeitos com a parca remuneração recebida e diminuído o ritmo de produção, abrindo o caminho o caminho para novos músicos, mais influenciados pela soul music e pelo rock n'roll. Assim, os metais (saxofone, trombone, trumpete etc), que eram a base do ska, foram para o segundo plano, dando espaço para que os outros instrumentos e a voz dos cantores sobressaíssem. Seja como for, logo o rocksteady caiu nas graças dos novos frequentadores dos dancehalls, um público mais jovem e ansioso por um música que cantasse a vida urbana de uma Jamaica que se modernizava rapidamente.

Talvez por isso os primeiros rocksteady tivessem como tema a vida dos rude boys, a juventude sem emprego, rapazes e moças que muitas vezes haviam acabado de chegar do interior e ficavam a vagar pelas ruas das grandes cidades jamaicanas, `as vezes praticando pequenos roubos, `as vezes se envolvendo em brigas e confusões pelos guetos. Prince Buster e sua canção "Judge Dread" condenava os rudies, enquanto que Bunny Wailer lamentava em "Let Him Go" que sua energia fosse desperdiçada nas prisões. Outros clássicos da época foram "A Message to you Rudy", canção de Dandy Livingstone que seria mais tarde regravada pelo The Specials (ver Skarcéu) e a mais conhecida das 'rude boys songs': "(007) Shanty Town", de Desmond Dekker, que foi incluída na trilha do filme "The Harder they Come". Mas logo as canções românticas e as que cantavam a vida cotidiana se impuseram como as mais identificadas com o rocksteady, embora os temas sociais e as mensagens rasta que dominariam o reggae nos anos 70 já começassem a aparecer.

The Wailers

Na época em que o rocksteady começou, Bob Marley estava nos Estados Unidos tentando juntar dinheiro para fundar seu próprio selo de gravação. Logo que ele voltou, no mesmo ano de 1966, juntou-se novamente aos Wailers e gravou alguns rocksteady para Coxsonne Dodd, como "Rocking Steady", mas foi com "Nice Time" e "Put it on", de Marley, que o grupo se manteria no topo e se incluiria na galeria dos grandes grupos harmônicos que começaram naquele tempo. Peter Tosh também adicionaria boas canções à fase rocksteady dos Wailers como a primeira versão de "I'm the toughest" (outra 'rudie song') e suas primeiras louvações rastafari, como "Rasta shook them up" (sobre a visita do imperador da Etiópia, Haile Selassie I, também em 1966).

A concorrência entre os grupos nunca foi tão grande como naquele tempo. Houve uma explosão produtiva na ilha, já que o rocksteady usava menos instrumentistas, o que facilitava as gravações. Dezenas de grupos apareceram (veja a lista abaixo), e os mais importantes foram os Heptones (cujo líder, Leroy Sibbles, também era baixista e criou muitos dos ritmos clássicos do rocksteady e do reggae), os Melodians (com o clássico 'Rivers of Babylon', entre outros) e os Paragons (do vocalista John Holt). Os dois últimos eram ligados a Duke Reid, o produtor que conseguiu tomar por um breve momento a liderança do mercado musical jamaicano do Studio One. Sua gravadora, a Treasure Isle, foi a responsável pela maioria dos sucessos do período. Outros produtores que fariam carreira na indústria musical jamaicana, como Joe Gibbs, Bunny Lee e Lee Perry, também iniciaram suas produções próprias durante aqueles anos loucos e iriam liderar a mudança do som que levaria ao reggae roots.

Algumas das principais características associadas ao reggae começaram com o rocksteady. Musicalmente as bases foram estabelecidas por instrumentistas como Lynn Taitt e Leroy Sibbles, criando os 'riddims' (bases instrumentais) que seriam continuamente reutilizados, desde o roots até a atual era digital (o chamado dancehall não está tão longe do roots quanto se costuma pensar, ver Dancehall), iniciando uma prática que iria definir toda a música realizada posteriormente na ilha. Foi nessa época também que foram realizados os primeiros ensaios do dub e foi sobre os clássicos do rocksteady que U Roy começou a gravar o seu canto falado (ver U Roy), que introduziriam a figura essencial do deejay. Os temas que o reggae exploraria em suas letras, como as mensagens de cunho social, as referências à Bíblia, as louvações a Jah (como "The Israelites", um dos primeiros grandes sucessos internacionais da música jamaicana, que era um típico rocksteady) também se estabeleceram naquele período. Até mesmo as letras que exploram o tema sexual chamadas de 'slackness' tiveram sua origem naquela época, em canções como "Fatty Fatty", dos Heptones ou na série de compactos "Censored", creditada a um certo Lloydie and The Lowbites, tema que dominaria o dancehall no final dos anos 80 e começo dos 90, repercutindo até hoje.

No Brasil o que se conhece do rocksteady são os clássicos como "54-46", "The Israelites" ou "(007) Shanty Town". A já citada trilha sonora do filme "The Harder they Come" tem talvez a melhor seleção da época de transição entre o rocksteady e o reggae roots e é encontrável em alguns sebos. A série "Jamaican Gold" também traz alguns bons exemplos, como os álbuns dos Ethiopians, Hopeton Lewis, The Jamaicans e da banda de Byron Lee, os Dragonairies.

Hoje o rocksteady se mantém vivo, através de artistas identificados com aquele período, como Alton Ellis, Ken Boothe e Eric Donaldson, que não conseguiram se adaptar `as mudanças do ritmo, mas que retomaram suas carreiras recentemente. Produtores como Joe Gibbs estão voltando `a ativa, entre outros motivos, para para suprir o mercado brasileiro, mais exatamente no Maranhão e outros estados que tornaram o reggae um fenômeno de massa com músicas novas de artistas ligados ao rocksteady e ao reggae roots. Como se isso não bastasse, algumas bandas novas, particularmente da chamada third wave do ska (ver Skarcéu), como Hepcat e Dr. Ring-a-Ding and The Seniors All Stars, vêm mantendo viva a chama do rocksteady, para a alegria dos que gostam desse ritmo "caminhante" e vibrante e de todos os que apreciam a boa música.

Produtores

Os mais influentes produtores do Rocksteady foram os seguintes:

DUKE REID - Tresure Isle
COXSONNE DODD - Studio One
LESLIE KONG
BUNNY LEE
JOE GIBBS
PRINCE BUSTER